Pensando nos lutos de famílias em contexto de cuidados paliativos
Palavras-chave:
Luto; Cuidados Paliativos; Família; Terapia Familiar; Morte.Resumo
Este ensaio teórico discute os lutos vivenciados por famílias em contexto de cuidados paliativos, compreendendo a morte não como evento pontual, mas como processo relacional que atravessa o adoecimento, reorganiza vínculos e transforma identidades. A partir de uma perspectiva sistêmica e construcionista social, o texto percorre a compreensão histórica da doença como castigo e seus efeitos de culpabilização, apresenta os cuidados paliativos como abordagem centrada na unidade de cuidado, formada pela pessoa doente e sua família, e revisa a evolução dos modelos teóricos sobre o luto, das fases e tarefas ao modelo do processo dual, à reconstrução de significados e aos vínculos contínuos. Defende-se que não há um único luto, mas lutos, vividos nos níveis singular, familiar, grupal, comunitário e público, e que, diante de doenças ameaçadoras da vida, as perdas se acumulam desde o diagnóstico, configurando o que se denomina luto total. Destacam-se ainda o luto antecipatório, as ambivalências entre a esperança de cura e o reconhecimento de seus limites e o luto paralelo vivido por profissionais de saúde. Conclui-se que o cuidado de famílias enlutadas requer a legitimação das perdas, a sustentação de conversas delicadas e a construção compartilhada de sentidos, e que psicólogos com formação em terapia de família contribuem de modo relevante para esse cuidado, ao integrar ciência, ética e narrativa.
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